segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cosmo Chapado




Como num chá alucinógeno
Um momento sem reflexão
Repente de um cosmo ilógico
A anti-materia da escuridão.

Se “Ele” fosse entidade
Deveria estar drogado
Quando inventou o universo!

Sua criação estrambótica
Na mais alienada elucidação
Esbarra na senha exótica
De uma paradoxal dedução.

Toda perfeição interligada
Dessa grandeza exagerada
Não se explica com a razão.

Quanta construção na desconstrução!
Quanta perfeição na imperfeição!

O que precisa ser decifrado
Nas ondas exóticas de vibração
Quando “Ele” não se importa?

Olho com os olhos assustados
A mente do cosmo chapado
Na mais ignorante resposta.

Qual reponso se reporta?

sábado, 27 de novembro de 2010

Rio de janeiro

Salve, salve o Rio de Janeiro!

Quando o morro era poesia
Inspiração de um trovador,
Nas noites de boemias
No ritmo de um condutor,
Quando a luz dos postes se via
Alguns encontros casuais
Uma roda de samba se ouvia
Nos acordes plurais.

Enquanto o morro dormia
Ao som de versos de amor
Entre copos e fantasias
O poeta e o compositor,
Embalados de nostalgia
Rimando as dores carnais
Um samba a mais se elegia
No enredo dos carnavais.

O que hoje se ouve profana
Ouvidos dos timbaleiros,
O som que agora emana
São ecos de tiroteios,
O fogo que arde em chama
No morro e nos canteiros,
Enquanto o povo reclama
No giro do mundo inteiro.

Porque o Rio de janeiro
Não é dos bandoleiros
É do poeta, do trovador,
Do sambista do sonhador
É o cartão postal brasileiro,
Do Brasil é o porteiro,
Salvem esse padroeiro
Salve, salve Rio de Janeiro!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Nostalgia...

Nostalgia diversa em versos

Cai à tarde.
Esmaecida e pálida paisagem
Impávida desfaz-se no poente
Como refém de uma miragem
Pairada e ripada do sol ausente.

A noite invade.
Dissimulada senhora do breu
Esquálida negra luz se recente
Em busca do brilho que perdeu
Para um sol de outro nascente.

Sem alarde
Retira de campo tua poesia
Porque sendo noite ou dia
Os versos ficam desestimulados
Ante a palidez do fim de tarde
Ante a obscuridade do anoitecer.

Talvez o poeta esteja só
Talvez se instale na nostalgia
Quando não gera idéia
Para dizer o poema certo
E não escancare a diferença
De ser.

Quem sabe,
Na manhã do amanhã,
Nunca seja tarde
Quando amanhecer.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Quando nasce um Poeta


E aí o verbo se fez verso.
No jeito de sentir as formas.
Tudo se tingiu de cores
Para ornar o pensamento.
E aí o homem viu-se emerso
no oceano de imagens que chora.
Todas as lágrimas de amores
Para falar de sentimento.
Então, nasceu o poeta.
Mas, antes de tudo,
Ser poeta é anotar
Um inesperado verso
Bem assim,
De improviso, no reverso,
Do guardanapo
De botequim.

domingo, 10 de outubro de 2010